Comfy winter: O que usar de norte a sul?

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Um dos pontos incríveis de viver em tempos modernos é que a moda está praticamente sem limites, principalmente à restrição de peças casuais em ocasiões especiais ou no próprio workwear. Este movimento também ganha um nome chamado “hi-lo”, que traz o básico de forma inesperada para ocasiões especiais. Ultimamente, as ruas mostram que a transição de ambientes só ganha força, ainda mais com as inúmeras inspirações das it-girls, com produções que combinam elementos fortes e transformam completamente o mood. O que ainda ajuda nessa migração é a oferta de marcas importantes, que investem na pesquisa e criação de produtos dentro das atuais tendências, com qualidade e que sejam democráticos para atender, por exemplo, o inverno de um país de tamanho continental. Uma delas é a brasileiríssima Hering, que trabalha coleções para o “frio” do norte e os dias gelados do sul.

Para um look ideal para um dia invernal (com sol) em São Paulo, escolhi um combo perfeito, composto pela jaqueta de suede cropped + polo navy, união perfeita para o inverno brasileiro. Repare que a camisa polo que, há algumas décadas, fazia parte dos uniformes esportivos ou para vestir no dia a dia informal, ganhou novo ar. Hoje, é possível criar um visual fashionista e misturar a outros itens tão fortes quanto.

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E a vontade de usar uma produção leve e descomplicada no final de semana? Você pode usar o clássico “tom” do estilo confortável em um casaco de modelagem elegante. Por isso, combinei o trench de moletom cinza mescla, com jeans cropped com duas lavagens e o tênis-meia terroso ultra comfy. A calça denim com o comprimento mais curto é o meu shape da temporada e é uma forma de transformar o comfy outfit.

3Aqui, as queridas F*hits Luiza Sobral e Rebeka Guerra, cada uma de uma região do país, dão o seu toque fashion para a temporada, com a coleção de inverno da Hering. Enquanto a Lu investe no mix de jaqueta militar, t-shirt branca e jeans cropped com barra desfiada para um visual urbano no Rio de Janeiro, a recifense Rebeka escolhe a estética romântica, com a mescla estampas no vestido de ombro a ombro e na malha listrada amarrada na cintura.

A experiência de vestir a mesma marca em diversos momentos do seu dia é incrível. E a Hering faz parte da vida dos brasileiros há muito tempo, inclusive, da minha.

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Must have: meia arrastão

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É incrível como determinados acessórios são transformadores! Entre os mais marcantes está o par de meia arrastão que, há algumas décadas, tinha uma relação direta com estilo gótico e super fetichista. Mas hoje, com a ajuda dos Millennials que estão reinventando a moda com suas combinações inusitadas, as fishnets (nome em inglês) entraram de vez nos looks urbanos. Eu, que já tinha usado uma versão clarinha durante a Semana de Moda de Nova York (veja aqui), encontrei um modelo muito cool durante a minha viagem para Buenos Aires. Na hora de criar o visual, apostei na cartela azul marinho + preto, à la Jason Wu, vestindo malha de gola alta flocada + pantacourt clochard + sapato black and white com laço e argola. As meias da marca Silvana Swiss têm fios que seguem um padrão tradicional, com losangos.
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Nas passarelas, outras formas de usar a tendência. A francesa Lanvin apresentou uma interpretação que faz o match de camisa rendada, super delicada, com ar Vitoriano, calça de alfaiataria de corte reto e um casaco impecável em tom de cinza. Adorei o contraste de texturas da renda, rede e do verniz na sapatilha com tiras. 4

Para Simon Miller, jeans, alfaiataria e modelagens curtas são bons eleitos para dividir espaço nas produções com meia arrastão. O toque urbano fica por conta da saia em denim com barra irregular e desgastada e o paletó. No segundo look, o combo saia + leather jacket criam uma sintonia rocker perfeita. Já o conjunto cinza é elegante, moderno e ganha ainda mais atitude com a mule branca. 3

Com uma proposta dark romântica, a Cinq à Sep desfilou um vestido com sobreposição de mangas – uma é feita com camadas de babados, a outra é longa e estampada. Os coturnos “meias” são ideais para a brincadeira de contrastes (obscuro x delicadeza).

As possibilidades são infinitas e há tantas referências para se inspirar. O segredo é escolher o seu par perfeito e adequar ao seu estilo – e usar de janeiro a janeiro!

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Must watch: Mr. Selfridge

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Todo mundo tem o seu seriado preferido, ainda mais quando a história tem uma certa identificação com seu gosto pessoal. Por exemplo, entre as minhas escolhidas está “The Crown”, que recria a vida da Rainha Elizabeth II, me levou (quase fisicamente kkk) para o meu “lugar” no mundo, Londres. Assim como em qualquer série, a gente se sente um pouco “abandonada” quando acaba a temporada. Enquanto espero a os próximos episódios, ouvi diversas opiniões sobre “Mr. Selfridge”, que, só pelo nome, já despertou uma altíssima curiosidade. Afinal, Selfridges é a minha loja de departamento favorita e, antes de comprar algo em outros lugares, passo lá para ver a curadoria. Achei incrível a forma como contaram a sua criação – incluindo a construção na Oxford Street, as pessoas que eram contra a sua abertura no início do século XX e sobre o fundador, Harry Gordon Selfridge, ser norte-americano. Estou completamente apaixonada pela série e já acabei de assistir!

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A série é um prato cheio de referências históricas para fashionistas. Na Inglaterra do início do século, as mulheres tinham uma vestimenta muito austera com mangas longas e golas altas para cobrir o pescoço (quase não deixavam a pele visível), quase como o estilo Vitoriano. O próprio Mr. Selfridge começou a série usando fraque para as reuniões de conselho e estava sempre impecável para ir trabalhar. Outro ponto forte é a perfeição na hora de mostrar a evolução da indumentária. Os chapéus eram grandes e cheios de enfeites, entre flores, plumas e aplicações de renda. Mas, na década seguinte, eles ficaram menores e com ar de modernidade – imagine que os cloche hats eram “too cool” nos anos 1920. O comprimento dos vestidos, que não eram práticos para vestir no trabalho, foram encurtados para a altura da canela, e isso já era considerado “ousadia”. Entre as responsáveis por tantas alterações nos looks estavam as sufragistas, o grupo feminista da época, e o próprio Harry Selfridge apoiou o movimento – a ponto de ser a única loja não apedrejada por elas na cidade.

 

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Além do cenário londrino que me encanta, tive uma identificação forte com Harry Selfridge, que era um empreendedor, chegou na cidade e começou tudo do zero. Admiro muito essa garra e determinação de fazer acontecer! Ele teve que lidar com o preconceito da época dos ingleses em relação aos americanos, que não eram considerados tão sofisticados. Isso porque na Inglaterra é preciso ter um “heritage”, algo que o dinheiro não compra e o Mr. Selfridge não tinha. Mas ele era um homem com visão inovadora, criou “as liquidações”, o conceito de vitrine como divulgação (e trocava toda a semana), além de passar por vários desafios e convencer as pessoas de que era possível abrir os olhos para o novo. Imagine que a Oxford Street não era a mesma que conhecemos hoje, cheia de lojas, luzes no Natal e uma multidão de pessoas ocupando cada centímetro da calçada. A região era considerada ruim pelos locais, mas ele apostou suas fichas para transformá-la em um ponto forte. E ele não estava errado em investir tanto esforço. Veja abaixo como ela é hoje!

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Como é bom saber da história dos lugares que visitamos. Eu vou sempre a Selfridges, que é conhecida pelas suas vitrines deslumbrantes, mas não sabia os detalhes que estavam por trás de tanto sucesso. Além do exemplo de determinação, a história reforça que a moda e o comportamento andam sempre juntos. É muito bom ver como as mulheres usaram as roupas como forma de empoderamento, lutaram pelos seus direitos e fizeram valer essa batalha – saindo para trabalhar, conquistarem espaço na sociedade e vestirem o que desejavam.

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