MFW: Max Mara Spring Summer 2020

É fato: toda fashionista elege suas marcas queridinhas. Seja pela estética, filosofia, história ou pela proximidade que acabamos tendo como consumidoras. No caso da Max Mara, tenho uma espécie de admiração pelo estilo e pelos conceitos criativos, que apresentam uma série de itens superdesejáveis, elegantes e, claro, considerados alguns dos clássicos da moda. Um exemplo? O casaco 101801, que tem o mesmo significado do trench coat para a Burberry e a Saddle Bag para a Dior. Ou seja, é um dos ícones que já ganhou o guarda-roupa de mulheres consideradas as mais chiques do mundo – e, na lista, constam nomes como das atrizes Cate Blanchett e Isabella Rossellini.

Além de ser uma grande lançadora de peças statement, vejo que a grife, atualmente comandada por Ian Griffiths, tem uma preocupação em se aproximar da sua cliente, repaginando seus visuais com propostas modernas e adequando às transformações que vêm das ruas. Por isso, a invasão do sportswear, utilitário e até da alfaiataria tradicional masculino nas últimas temporadas. Para o Verão 2020, a cartela pastel deu vida às influências urbanas. De um lado, os vestidos com cortes acinturados + estrutura nadadora no decote e cavas (detalhes que lembram os maiôs esportivos). Do outro, a brincadeira de sobreposição de camisas cobertas por bolsos fole e blazers em tons azul claríssimo, amarelo candy, lavanda e verde.

Na sequência de criações voltadas para esta conexão entre tailoring e utilitarismo, o diretor criativo trabalhou também com as versões baseadas na paleta neutra, entre terrosos e acizentados. Logo à primeir vista, já deu para identificar que a ideia foi mostrar que, até mesmo as produções com perfume boyish, podem ser renovadas – e carregar aquele toque de contemporaneidade na medida certa.

The last, but not the least, o poá. Recentemente, tenho visto que diversas marcas estão investindo na estampa de forma cool e sofisticada. Aqui, Ian Griffiths mostrou que recortes, diferentes combinações e tamanhos de polka dots podem ser o caminho para criar produções full printed fora do comum. Claro, e impressionar seu público que, acima de tudo, vê a label italiana como uma poderosa fonte de referências – muito além do próprio consumo. Afinal, a moda é feita para nos surpreender – sempre!

Trend hits Spring 2020: All yellow

Mesmo com a invasão das cartelas pastel nas últimas temporadas, acredite, os bons clássicos sempre estão no topo dos queridinhos das fashionistas. Isso porque não é à toa que muitos deles fazem uma certa sintonia com a estação. No caso do verão, a cartela quente ganha espaço nas produções que vai além do vestidinho à beira mar.

Para a moda urbana, o amarelo vem se destacando em visuais incomuns, como na alfaiataria. Durante as mais recentes passarelas de Nova York e Londres, exemplos de como o tailoring consegue absorver muito bem essa injeção de energia solar. Na proposta da Marc Jacobs, o terno surge na versão coberta pela cor, com leves pontos em lilás. Veja como há um contraste entre a modelagem tradicional com um tom  vibrante. É uma forma tão cool de renovar peças que já carregaram aquele ar sisudo no passado. Já na Vivienne Westwood, o blazer ganha formato cropped, enquanto a calça dá espaço para a saia assimétrica.

Entre os vestidos, uma infinidade de formas, efeitos e combinações de detalhes. Na sempre elegante Proenza Schouler, modelo amarelo ganha contraste do cinto preto, que aparece como acessório importante para formar drapeados na silhueta. Com brilho líquido, Christian Siriano dá um toque glam ao look, que ainda traz a brincadeira de sobreposições e assimetrias como elementos marcantes. No mood romântico, a Erdem investiu em uma mistura de vazados, mangas bufantes e gola franzida para dar uma nova aparência ao all yellow.

Para Lela Rose, a chemise ampla foi a peça-chave escolhida para receber o amarelo – e dar à tonalidade uma versão girlie chic. Na Oscar de La Renta, o vestido longo tem decote discreto e com mangas franzidas. Já na construção apresentada por Pyer Moss, mangas-capas, decote v e pregas formam uma composição de detalhes com alto nível de sofisticação. Com foco em volume, Richard Quinn não economizou tecido e fez um longo com camadas e uma espécie de montagem de rosa, com o efeito da própria seda. Com certeza, a criação perfeita para levar o amarelo para o red carpet.

Na moda, tudo é uma surpresa. Quando achamos que o sistema fashion criou regras, vemos que, nos dias de hoje, não há mais espaço para “certos” e “errados”. A monocromia amarela, há muitos anos, já não é vista como estética corajosa ou usada especialmente em ocasiões que “permita” seu uso. Tornar estéticas mais democráticas é o segredo atual. Por isso, que devemos desafiar sempre o que parece ter limitações. Afinal, criatividade move este mundo – e por que não experimentar algo novo agora?

Destaque NYFW: Carolina Herrera

É incrível como a moda pode nos apresentar tantas pessoas incríveis e inspiradoras. E, quando assistimos a um desfile, relacionamos algumas experiências ao que está na passarela – e tudo faz tanto sentido. No desfile da Carolina Herrera, mesmo sob comando do estilista Wes Gordon, parece que o DNA elegante da marca norte-americana segue intacto. No primeiro semestre deste ano, tive a chance de encontrar a fundadora da grife durante um evento em São Paulo e foi uma ocasião tão marcante. Ela, que veio acompanhada da filha, Carolina Herrera de Baez, trouxe toda a sua sofisticação de um jeito leve e descontraído. Na coleção de Verão 2020, senti que há uma conexão direta com essas características.

Desde que assumiu a direção criativa, Wes Gordon vem se destacando como um dos grandes nomes da nova geração responsável por entender e destacar a beleza natural das mulheres através de criações românticas e modernas. Ou seja, ele atualiza aquele estilo lady like tão icônico da label, de um jeito desejável e cheio de bossa. Na lista de suas peças preferidas para reforçar os códigos da casa estão as clássicas camisas brancas, saias longas e os florais exuberantes. Inspirado pelo fenômeno botânico que acontece na Califórnia denominado de “Super Bloom”, o diretor criativo aposta em uma temporada coberta por padrões de lírios, verbenas, além de uma cartela que combina neutros e cores saturadas, como vermelho, rosa, amarelo, verde e azul.

Enquanto isso, nas modelagens, um toque oitentista e recebem ombros e mangas volumosas, fendas estratégicas, pregas e bordados localizados. Claro, em silhuetas marcadas na cintura com costuras, elásticos e maxi cintos. Há espaço também para a estampa de bolinhas, o famoso polka dot em preto e branco, que se tornou uma das marcas registradas da grife e de sua criadora. Inclusive, vale reparar que, não basta ter um full look poá, é preciso misturá-los em versões “negativas”. Ou seja, se a camisa é p&b com fundo branco, casaco e shorts têm fundo preto com bolas brancas. Uma forma cool de modernizar um padrão tradicional com ar retrô.