Trend hits: Animal Print

Sinônimo absoluto de glamour e elegância, o animal print deixou de ser uma tendência temporal e, hoje, é considerado um item clássico do guarda-roupa feminino – assim como o “pretinho básico”.  Sucesso entre as divas do cinema da década de 1950, como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, e nos anos 1980, as padronagens inspiradas na pele dos animais surgem na estética tradicional e em um mix de cores inusitado. O segredo é sempre inovar! Nas passarelas, ele vem mostrando sua versatilidade e todo o seu lado moderno, graças às interpretações cheias de frescor e personalidade feitas pelos diretores criativos.

Nas passarelas internacionais, as estampas dominaram as coleções em propostas, quase, full animal print. Para o seu Verão 2018, a estilista Donatella Versace fez uma homenagem ao seu irmão Gianni e trouxe a estética vibrante para visuais super cool. A top Kaia Gerber surgiu a bordo de um conjunto bicolor, com substituição do clássico fundo terroso para o amarelo impactante. Já na Rochas, a produção conta com sobreposição de estampa leopardo em diferentes combinações no casaco e vestido.

A ideia de composição all printed seguiu na Richard Quinn, que apresentou duas variações de tamanho das mesmas manchas no mesmo casaco – no centro da peça, os desenhos eram menores e maiores nas laterais. Na Kenzo, o python foi o protagonista do look superestampado, em encontro com a gola e calça xadrez. Repare como o animal print é democrático e forma boa composição com outros padrões. Para o Inverno 2019 da Versace, um tom mais divertido e jovem trouxe a peças de cores fortes e detalhes clássicos urbanos, como os bottons aplicados no casaco de oncinha e desenhados no vestido.

Entre formas tradicionais e novas, o que vale é sempre escolher o tipo que combina com você!

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Haute Couture: Dior Spring 19

Quando falamos de Semana de Alta Costura, automaticamente, falamos de um mundo dos sonhos. Um universo que permite uma série de fantasias e que nos surpreende. Incrivelmente, toda temporada segue esse script. Cada vez mais encantadora e cheia de motivos para nos fazer suspirar. Basta ver até onde os diretores criativos levam os seus shows, que mostram a roupa, como foco principal, em cenários de precisar de algum belisco.

Desta vez, a responsável pela magia, quase literal, foi Maria Grazia Chiuri na apresentação da Dior. Ela, desde sua primeira estação na maison francesa, investiu em temas fortes, que trouxessem a mulher como protagonista não só da passarela, mas da cena em si. Ao chegar no Musée Rodin, já era esperado um espetáculo sensível. A entrada do desfile já entregava um picadeiro elegante, com lâmpadas penduradas em fios e um ambiente super aconchegante. Tanto a atmosfera quanto a coleção partiam da inspiração principal de Maria Grazia – a foto ”Dovima e os elefantes” clicada em um circo por Richard Avedon para Christian Dior em 1955. Antes mesmo das roupas ganharem os holofotes, um time de acrobatas de circo de Londres fez uma abertura com mulheres nos ombros de outras, trazendo o simbolismo de força e união feminina – ”que estamos juntas e tudo vai dar certo”.

Já no que diz respeito às peças, um encanto sem fim. O tom mágico da vestimenta do circo mostrou seu espaço em roupas que lembravam as fantasias dos palhaços, mas feitas em organza, com destaque para transparência em pontos estratégicos, aplicações, franzidos e volumes. Saias bordadas ou incrustradas de paetês opacos são encurtadas como tutus que remetem aos códigos das acrobatas, domadoras e amazonas. Além dos pontos justos e curtos, há calças amplas e muito leves, estreitando no calcanhar, que também podem se tornar macacões suntuosos. Os shorts surgem com camisas brancas decoradas com
babados ou fitas, que trazem a sensação de terem sido gastas com o tempo. Corsets em couro, listras de marinheiro e jaquetas pretas inspiradas na do domador de leões também surgem com sofisticação e uma pitada de modernidade.

Entre os desejos absolutos (e que deixaram as fashionistas vidradas) estão os vestidos longos cobertos por plissados. Repare na leveza e nos ”desfiados” propositais com visual de franjas nos decotes. Fiquei maravilhada com os acabamentos tão bem feitos e que mostram um caminho tão fresco para a Alta Costura. As tonalidades também transmitem um romantismo e uma delicadeza que vai em encontro com toda simbologia que Maria Grazia buscou no seu espetáculo. E nos marcou completamente!

 

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Pré-Fall 19: Dior, Chloé, Schiaparelli e Stella McCartney

A temporada de Pre-Fall 2019 segue firme e cheia de gás. É incrível como as coleções ”entre estações” estão cada vez mais fortes e ganhando atenção das grifes e fashionistas. No post anterior, mostrei quatro marcas que trouxeram propostas que, de certa forma, acredito que vão impactar (positivamente!) no guarda-roupa dos próximos seis meses. Mas não são somente aquelas apresentações que chamaram a minha atenção. Quem me conhece, sabe que faltaram algumas das minhas grifes preferidas na seleção. Dior? Stella McCartney? Estão aqui, com seus visuais deslumbrantes e que reinventam os códigos de feminilidade.

Para começar, Maria Grazia Chiuri sempre surpreende. Desta vez, a diretora criativa da Dior apresentou uma série de peças inspirada no trabalho da artista ucraniana Sonia Delaunay. Na ficha histórica pintora há uma colaboração especial para a maison. Durante o período de Marc Bohan na casa, ela desenvolveu um vestido com detalhes artesanais para a cantora francesa Françoise Hardy. Para a o Pre-Fall, as criações trazem detalhes baseados nesta atmosfera e mostram um contraste moderno e urbano para a mulher de 2019. Os casacos surgem monocromáticos ou com padronagens em visuais com calça de alfaiataria ou jeans. As bomber jackets em verde militar encontram saias de renda de seda transparente. Na minha lista de produções-desejo estão os tricôs e saias mídi de lã com desenhos geométricos ou tingimento com efeito degradê. Outro ponto cool é a marcação da silhueta, com cintos finos que sobrepõem saias e jaquetas.

Ao primeiro olhar, Natasha Ramsay-Levi passeou livremente pelos anos 70 e 80, trazendo uma pitada de glam herdada deste período. Sobreposições, combinações de tricôs texturizados, fendas estratégicas e modelagens soltas e despretenciosas guiaram as peças marcantes e transformadoras. Há um quê do período eduardiano em camisas turtle neck com gola foulard. Repare também nos prints florais, com aparência British vintage.

Se é cor que você precisa, a Schiaparelli investiu forte no color blocking. E uma das minhas combinações preferidas ganha espaço e proporções especiais. Vermelho e rosa fazem match perfeito em itens altamente sofisticados e contemporâneos, como o macacão com franzidos, e no vestido com estampa de várias estátuas em um mix de efeitos e assimetrias. O pink também dá o ar das graças na t-shirt bicolor em look com calça de alfaiataria verde. 

Stella, Stella, Stella! Obviamente não poderia faltar ela e sua maestria de nos fazer suspirar. Imagine que o seu Pre-Fall teve uma parcela grande de uma ocasião familiar especial. A designer foi com seu pai, Paul McCartney, assistir à versão para relançamento do longa Yellow Submarine. A partir desta experiência, com olhos atentos, Stella fez uma interpretação do figurino do filme, com doses do arquivo pessoal dos pais, trazendo uma mistura de modernidade, romantismo e, claro, o utilitarismo dos uniformes britânicos – usados por Paul. Há desde vestidos leves, assimétricos, com trabalho plissado, aos conjuntos de alfaiataria em pink ultra-vibrante, passando pelas capas de lã xadrez com recortes para os braços, que deixam detalhes em evidência, como as mangas fofas.

E a moda não para de nos encantar! Após tantas coleções maravilhosas é hora de nos encantar com apresentações dos sonhos. Next stop?  Alta costura!

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